R$ 74,5 milhões no asfalto e a água? Moradores de Americana seguem cobrando qualidade no abastecimento

Fotos: Arquivo/Prefeitura de Americana

Enquanto a Prefeitura de Americana anuncia um investimento histórico de R$ 74,5 milhões na recuperação asfáltica, um outro problema antigo continua escorrendo pelas torneiras — e, em muitos casos, pelas ruas: a qualidade da água e os recorrentes vazamentos na rede.

O programa “Asfalto Novo”, apresentado pelo prefeito Chico Sardelli, promete recuperar cerca de 408 mil metros quadrados de vias, com foco em avenidas de grande fluxo e regiões que há anos aguardam manutenção. O discurso oficial reforça eficiência, mobilidade e qualidade de vida. No papel, é um pacote robusto. Na prática, levanta um questionamento inevitável: por que a mesma urgência não é percebida quando o assunto é o sistema de abastecimento?

Levantamentos recentes e relatos frequentes da população apontam para um cenário que está longe de ser considerado satisfatório. Em diversos bairros, moradores reclamam da coloração escura da água, odor forte e presença de resíduos. Em outros pontos, o problema é estrutural: vazamentos constantes, desperdício visível e demora no reparo por parte do poder público.

A contradição fica evidente. De um lado, um investimento milionário para melhorar o que está sobre o solo. Do outro, uma infraestrutura subterrânea que, segundo críticas recorrentes, segue operando com falhas que impactam diretamente a saúde pública e o cotidiano da população.

Portais regionais e manifestações em redes sociais mostram que a insatisfação com o serviço de água não é pontual. Há registros de bairros inteiros enfrentando interrupções, baixa pressão e episódios de água imprópria para consumo, o que obriga moradores a recorrerem a galões ou sistemas alternativos.

O debate que surge não é contra o investimento no asfalto — que, de fato, é uma demanda legítima —, mas sobre a priorização. Afinal, ruas bem pavimentadas não compensam torneiras com água de qualidade questionável.

A gestão municipal ainda não apresentou, com o mesmo destaque, um plano de investimento de grande escala voltado à modernização da rede de abastecimento, combate a perdas ou melhoria do tratamento de água. E é justamente essa ausência que alimenta o tom crítico da população.

No fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas de Americana é simples, direta e difícil de ignorar: de que adianta investir milhões no asfalto se o básico — água limpa e sem desperdício — ainda não chega com qualidade à casa das pessoas?